Quase uma carta
As lágrimas invadem o meu rosto.
Não quero pensar, não consigo não pensar
Tenho que pensar
“A dor precisa ser sentida”
Queria poder escrever uma coisa bonita que nem ela
Fazer uma dedicatória exemplar.
Por que eu não sonho com ela?
Já pedi, talvez não tenha pedido certo?
Sonhei com o seu enterro.
Sonhei que ela queria ficar com a tia Mariane
Não falei, porém.
Agora pensando, será que estar com a tia Mariane no mesmo cemitério, significa estar no mesmo plano dimensional?
Será que ela queria ir embora?
Não sei se vou conseguir, eu a amo muito.
Mas ela foi forte.
Também tenho que ser.
Pensando, o que será que ela pensou?
Eu queria que eu estivesse lá com ela.
Ela foi sozinha.
Mas agora ela está com a tia Mariane, e com a Bisa.
Ela está bem.
É o que eu me afirmo todos os dias, é o que me mantém aqui.
Ela, tão curiosa
Descobriu o mistério.
O mistério que nos aguarda.
Que anseio pelo.
Difícil é viver sem você aqui, a minha realidade é o meu pior pesadelo.
Essa dor vai passar.
Quero ficar bem, quero que todos fiquem bem.
“Uma família calma, tranquila e feliz.”
Era o que ela dizia, chorando.
Eu não consegui dar isso a ela.
Mãe, eu te amo muito, e sempre vou amar.
Sinto sua falta demasiadamente, e a dor sempre me acolhe quando estou sozinha.
Mas eu prometo que vou ficar bem.
Por você.
De sua garota cor-de-rosa, Cecília.
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