Mamãe
É como um vazio.
Numa mente brilhante, cheia de propósitos... já não floresce nada.
O vazio consome tudo. Planos, desejos, sonhos, felicidades.
E não sobra nada além dele, esse vasto mundo de ócio.
Uma música ecoa para tentar levar os maus pensamentos. Mas no vazio nada fica, a música é levada também, sugada para o abismo do que um dia fora uma alma.
A dor, a solidão. A maior ironia da vida: sentimos solidão todos juntos.
E onde está? Onde está o brilho que um dia lembrou vida e juventude?
Já se foi? Não tem mais volta?
Ou posso acha-lo? Se conseguir preencher meu universo consumido pelo limbo?
O brilho talvez fosse achado um dia... por uma pessoa específica. À quem deu nome a tudo. Ao sorriso, o olhar cheio de esperança e sede pela vida.
Mas essa pessoa já se perdeu na imensidão. E talvez seja tarde demais.
A esperança geralmente é o maior triunfo. E o maior defeito.
Nesse caso já não há. O que resta é um cemitério sem flores para relembrar. Sem coragem de enfrentar a dor que consome, consome e consome.
Os problemas diários iludem para que a mente se esqueça ainda mais, ainda mais.
Mas quando o olhar encontrar a fonte verá aquilo que jamais pudera ou poderá esquecer.
Seu túmulo jaz sem mim, sem encontros, sem despedidas corretas.
Será que um dia haverá perdão?
Eu sinto tanto por não ter coragem.
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